Impulso A oferta

Estudo · 28 de agosto de 2026

9 em cada 10 não têm por onde receber um pedido

Verificámos 15 175 empresas portuguesas de construção, remodelações, carpintaria, oficinas auto, serralharia, electricidade, canalização, AVAC e energia solar — uma a uma. 61,9% não têm site. Das que têm, só 27,2% têm um sítio onde um cliente possa escrever o que precisa.

Recolha 20/08/2026 a 28/08/2026 Âmbito 20 distritos Amostra 15 175 empresas Licença CC BY 4.0
89,6%

não têm forma de receber um pedido de orçamento por escrito.

13 599 das 15 175 empresas verificadas. Ou não têm site, ou o site que têm não tem onde escrever.

Como se mediu

O método, antes dos números

Partimos das fichas públicas do Google Maps destes ofícios em 20 distritos de Portugal continental e ilhas, recolhidas entre 20/08/2026 e 28/08/2026 de 2026. Uma mesma empresa aparece muitas vezes em mais do que uma categoria — 888 fichas repetidas foram retiradas, deixando 15 175 empresas distintas.

Cada empresa com site foi depois visitada por um verificador automático, que carregou a página como um telemóvel a carregaria e registou: se abre por HTTPS, quanto tempo demora a ficar utilizável, se o conteúdo cabe no ecrã sem se arrastar para o lado, se o número de telefone é clicável, e se existe algum formulário onde se possa deixar um pedido.

Não há inquéritos, não há estimativas e não há extrapolação: cada linha destes números corresponde a uma empresa que existe e que foi verificada. Os dados agregados estão publicados em estudo-dados.json.

O resultado

Por que porta entra um pedido

Um cliente que precisa de um orçamento tem três formas de o pedir: ligar, escrever num formulário, ou mandar mensagem. A primeira só funciona dentro do horário e uma pessoa de cada vez.

  • Sem site nenhum61,9%
    9 390 empresas
  • Com site38,1%
    5 785 empresas
  • Com formulário de pedido10,4%
    1 576 empresas · 27,2% de quem tem site
  • WhatsApp anunciado5,8%
    878 empresas

Há ainda um caso pior do que não ter site, e é mais comum do que se supõe: 9 317 empresas (61,4%) não têm site nem email visível. Fora do horário de expediente não existe forma nenhuma de lhes chegar. Quem procura à noite, procura outro.

Quem tem site

Ter site não é o mesmo que ter porta aberta

Entre as 5 785 empresas com site, a maioria falha coisas que já não são detalhe — são a diferença entre um cliente ligar e um cliente desistir.

  • Telefone escrito como texto, não clicável59,2%
    3 422 sites · no telemóvel obriga a decorar o número e marcá-lo à mão
  • Cinco segundos ou mais a abrir30,5%
    1 767 empresas · mediana de 3,8 s
  • Desalinha no ecrã do telemóvel19,4%
    1 121 empresas
  • Rodapé parado em 2022 ou antes13,8%
    799 empresas
  • Sem HTTPS — aparece como "Não seguro"12,4%
    716 empresas

Por ofício

Onde é que dói mais

A ordem não é a que se espera. Os ofícios mais antigos são os que estão pior, e o mais recente — a energia solar, que praticamente não existia há dez anos — é o único onde a maioria tem site.

15 175 empresas, classificadas pela categoria da própria ficha do Google.
Ofício Empresas Sem site Sem forma de pedir
Construção 3 560 52% 87%
Oficina auto 3 348 77% 94%
Carpintaria 1 638 70% 93%
Electricista 1 313 65% 93%
Serralharia 1 209 67% 93%
Solar 932 24% 77%
Remodelações 845 58% 86%
Pneus 633 85% 94%
Canalizador 563 58% 87%
AVAC 463 35% 77%
Pintura 362 53% 87%

Onde

20 distritos

A recolha cobre o país. Nenhum distrito representa mais de um sexto da amostra.

  • Lisboa2 209
  • Porto1 794
  • Braga1 408
  • Aveiro1 345
  • Leiria1 302
  • Faro1 159
  • Setubal1 016
  • Santarem606
  • Viseu595
  • Coimbra592
  • Viana Do Castelo543
  • Beja455
  • Castelo Branco407
  • Braganca394
  • Vila Real387
  • Evora343
  • Guarda335
  • Portalegre239
  • Acores24
  • Madeira22

Perguntas

O que estes números respondem

Quantas empresas portuguesas de obras e oficinas não têm site?

61,9% — 9 390 das 15 175 empresas verificadas em agosto de 2026 não tinham site nenhum. Não é o mesmo que não terem presença online: quase todas estão no Google Maps e têm telefone. O que não têm é um sítio seu.

Quantas aceitam um pedido de orçamento pela internet?

10,4% do total. Das 5 785 que têm site, só 1 576 — 27,2% — têm um formulário onde um cliente possa descrever o que precisa. As restantes 13 599 (89,6%) só recebem pedidos por telefone ou presencialmente.

Porque é que isso importa, se toda a gente tem telefone?

Porque o telefone só atende dentro do horário e uma pessoa de cada vez. Quem procura um orçamento à noite, ao fim de semana, ou enquanto está a trabalhar, não liga — escreve a quem tem onde escrever. 61,4% destas empresas não têm nem site nem email visível: fora do horário, não há forma nenhuma de lhes chegar.

Os sites que existem funcionam bem no telemóvel?

Metade não faz o básico. Entre as 5 785 com site, 59% têm o telefone escrito como texto — no telemóvel não se liga, tem de se decorar e marcar. 31% demoram cinco segundos ou mais a abrir, 19% desalinham no ecrã do telemóvel e 12% aparecem como "Não seguro" no Chrome.

Qual é o ofício em pior estado?

As oficinas auto: 77% não têm site e 94% não têm forma de receber um pedido escrito. No extremo oposto está o solar, o mais recente dos ofícios analisados, com 24% sem site.

Como foram recolhidos os dados?

De fichas públicas do Google Maps em 20 distritos, entre 20/08/2026 e 28/08/2026. Cada empresa com site foi depois visitada por um verificador automático que mediu o tempo de abertura, o certificado, o comportamento no telemóvel e a existência de formulário. Retiraram-se 888 fichas repetidas.

Honestidade

O que este estudo não prova

Publicamos os limites porque um número sem limites não é um número, é um cartaz.

  • A amostra são empresas listadas no Google Maps. Quem não está sequer listado não foi contado — e é razoável supor que esse grupo esteja pior, não melhor. O número real é provavelmente mais alto.
  • O formulário foi detectado automaticamente. Um formulário que só apareça depois de o visitante carregar num botão pode ter escapado ao verificador. A percentagem de quem aceita pedidos por escrito pode ser ligeiramente maior do que 27,2%.
  • "Email visível" é o que está publicado na ficha ou no site. Muitas destas empresas têm email e não o mostram — o que, para um cliente que quer escrever, dá no mesmo.
  • O ofício vem da categoria do Google, não de CAE. É bom o suficiente para comparar grupos entre si, e não serve para estatística oficial.
  • Isto não mede facturação nem saúde do negócio. Há empresas sem site com trabalho marcado até ao Verão. O que se mede é uma porta, não um resultado.

Usar

Pode usar estes números

Os dados agregados são publicados sob licença Creative Commons BY 4.0 — pode citá-los, reproduzir os gráficos e usá-los em trabalhos próprios, comerciais incluídos, desde que diga de onde vêm.

Impulso (2026). Estado digital das empresas portuguesas de obras, oficinas e instalação.
15 175 empresas verificadas, 20 distritos, agosto de 2026.
https://aimpulso.pt/estudo.html

Ficheiro de dados: estudo-dados.json. Jornalistas e associações sectoriais que queiram o apuramento desagregado por distrito ou por ofício: ola@aimpulso.pt.

E do outro lado

Nós fazemos a porta

A Impulso instala em empresas destas o sistema que falta: um sítio onde o cliente descreve o que precisa e recebe logo uma estimativa, e um aviso no telemóvel do dono no momento em que o pedido entra — já com o valor proposto.

Se está nesta lista, provavelmente já sabia. Ver como fica leva dois minutos.

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